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Sideração súbita
Suas ruas despidas cambriavam uma nudez de silêncio e de sombra. Ela lhe disse: a cidade se desnuda…
Nela se adentrou lado a lado pasmando-se no fundo risonho de suas pálpebras ele leu de repente o número atônito do desejo que o obcecava eram partículas que repousavam ali como estrelas na borda do céu traço de astérias em poeira
suspenso a essas esplendores
dela
como quando assim que cai o dia já parece querer renascer a cada convulsão de agonia a escuridão enruga-se o mar reluz e ainda crepita e logo ele soluça solta um último suspiro antes da morte e da noite ele percebeu de relance o cintilado que em seu próprio rosto sob uma máscara de penumbra a pontilhava de ouro cada sobressalto era uma lembrança de astro cada espasmo uma crachadura de sol
a cidade se lentamente desnuda de silêncio escurece abandona sua muda maquilada de faíscas tilintantes por gritos invisíveis por abraços sub-reptícios seu pudor se fazia nova pele
até azedar na espera uma pálpebra cintilada de irradiações sonoras
a cidade se desnuda é você que eu quero nua